A volta da que não foi: Resenha - O Temor do Sábio

Então, nunca passou pela minha cabeça que o sinal de internet aqui no limbo fosse tão bom e... I'M BACK :DDDDDDDDDD *solta 10 minutos de foguetes*
Eu não acredito que deixei o blog abandonado nesse hiatus maldito por tanto tempo. Mas por mais que tivesse coisas pra postar, estava sem vontade, sabe? E acabava não vindo. Mas agora parei com a putaria e voltaremos à nossa programação normal.
O motivo de ter vindo postar hoje é com certeza importantíssimo, porque terminei O Temor do Sábio, cortesia da Editora Arqueiro, depois de longos meses lendo. Nunca pensei que fosse demorar tanto mesmo com esse tamanho (960 páginas), porém a leitura teve algumas pausas longas e curtas que fizeram atrasar. Mas enfim, bora com essa resenha. Tentarei ser breve como em todas, um dia eu aprendo.


Autor: Patrick Rothfuss
Editora: Arqueiro
Páginas: 960
Nota: 
Quando é aconselhado a abandonar seus estudos na Universidade por um período, por causa de sua rivalidade com um membro da nobreza local, Kvothe é obrigado a tentar a vida em outras paragens. Em busca de um patrocinador para sua música, viaja mais de mil quilômetros até Vintas. Enquanto tenta cair nas graças de um nobre poderoso, Kvothe usa sua habilidade de arcanista para impedir que ele seja envenenado e lidera um grupo de mercenários pela floresta, a fim de combater um bando de ladrões perigosos. Ao longo do caminho, tem um encontro fantástico com Feluriana, uma criatura encantada à qual nenhum homem jamais pôde resistir ou sobreviver até agora. Kvothe também conhece um guerreiro ademriano que o leva a sua terra, um lugar de costumes muito diferentes, onde vai aprender a lutar como poucos. Enquanto persiste em sua busca de respostas sobre o Chandriano, o grupo de criaturas demoníacas responsável pela morte de seus pais, Kvothe percebe como a vida pode ser difícil quando um homem se torna uma lenda de seu próprio tempo.


Quando recebi O Temor do Sábio, que é a continuação de O Nome do Vento (resenha), levei um susto pois quando solicitei  não sabia que era um calhamaço de quase 1000 páginas haha! (minha maior leitura foi de 1039, mas queria que essa fosse menor pra que fosse mais rápida, mesmo)
Estava muito ansiosa pra voltar a ler a história de Kvothe, O Fodão. O que me incomoda um pouco, pois ele é exageradamente foda & inteligente & esperto & exímio em qualquer coisa e blá blá. Mas tem horas em que gosto dele (e em muitas, dá vontade de dar um soco). O começo que é só um pouquinho lento, pois se dá sempre na hospedaria de Kvothe, de onde ele narra, para o Cronista, a história de sua vida. Este segundo livro corresponde ao segundo dia de narrativas (fico boba como pode caber tanta coisa num só dia e como o homem não quebra a mão de tanto escrever, isso é apelação demais). Ocasionalmente, ocorrem essas pausas voltando à hospedaria, onde a narrativa passa da 1ª pessoa para a 3ª.

A história desse livro se passa em sua grande parte, longe da Universidade, de onde ele tira umas férias forçadas devido a confusões com o insuportável Ambrose (e já tava na hora pois a Universidade estava me cansando). O motivo de todas as aventuras que se desenrolam depois é a ida para Vintas, onde indicado por um amigo nobre, Kvothe se relacionada com um nobre poderosíssimo, servindo de músico e escrevente de cartas e poemas para que o Maer (esse é o título nobiliárquico) consiga conquistar uma mulher por quem se apaixonou. Durante isso, Kvothe acaba por acaso descobrindo o motivo da forte doença que não largava o nobre, e o ajuda a se curar de vez dela. Daí o Maer manda a ele que viaje até uma grande floresta para combater um bando grande de ladrões. O grupo de mercenários com quem Kvothe viaja é uma atração à parte, achei bem divertidos e ri em várias partes. Aliás, o humor e a ironia sempre são muito bons de se ler nestes livros. Patrick Rothfuss dosa moderadamente essas passagens, porém com frases e situações muito bem sacadas.

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Depois dessa viagem para combater os bandidos, Kvothe e o grupo acabam se deparando, à noite, numa clareira na floresta, com Feluriana, uma lenda dos seres Encantados, famosa em todo lugar, por sua imensa beleza (nem sei viu, pela descrição dos olhos dela achei algo bem sinistro :v) e encanto blá blá blá, à qual nenhum homem consegue resistir. Eles são atraídos por ela, que os encanta, e mata de esgotamento físico de tanto fazer ~aquelas~ cousas (tipo, wtf...) ou de loucura mesmo, pois nunca conseguem escapar vivos dela, de uma forma ou de outra. Kvothe acaba indo atrás de Feluriana e deixa seu grupo pra trás. E por ser Kvothe, O Fodão, que nunca havia antes tido qualquer experiência com uma mulher, sua primeira é logo com Feluriana, uma elemental de milhares de anos, conhecida em todo o mundo, o "sonho de todo homem" e blá blá. E ele não só sai vivo do longo tempo em que passa com ela, como antes trava um duelo mágico onde consegue subjugá-la para que possa decidir ir embora quando quiser, aprende várias daquelas ~coisas~, que aliás, segundo Feluriana ele tem um ótimo desempenho (porque o que é que ele não faz muito bem, não é?), ganha uma capa mágica feita por ela e tal. 
Apesar da apelação dessa parte (não em termos de descrição de cenas) devido aos feitos de Kvothe, O Fodão, a personagem de Feluriana, que até certo ponto achei que fosse ser rasa e artificial, foi uma boa surpresa. Acabei gostando dela por ser mais complexa do que eu imaginava que seria, assim como se mostrou o mundo dos Encantados que Patrick criou. 

Depois de sair vivo e cheio de histórias do encontro com Feluriana, Kvothe acaba, junto com um mercenário de seu grupo, tendo que viajar até o Ademre, uma terra distante, de onde vêm os famosos  mercenários ademrianos. Essa parte definitivamente é a melhor do livro. Não sei nem por onde começar a falar dela porque é muito boa! O povo ademriano tem costumes muito diferentes, a começar pela linguagem, que não é muito falada. O silêncio é algo muito presente e comum, e o que é mais usado que tudo (e substitui as expressões faciais, que só são feitas entre pessoas íntimas) são  gestos e símbolos feitos com as mãos, que são muitos e com muitas diferenças sutis. Há também a Lethani, a filosofia dos ademrianos, não só os guerreiros, é muito complexa e se relaciona tanto com as táticas de luta quando com a vida quotidiana. A  parte da luta (principalmente a corporal) e dos treinamentos é muito criativa e bem pensada. Parte curiosa: os ademrianos são desprendidos em várias coisas que Kvothe estranha, como por exemplo, o sexo, o que pra eles é apenas um modo de "descarregar" as energias. Mas sobre as lutas, ao menos se fica provado que existe algo em que Kvothe, o Fodão, não é o melhor do mundo fazendo. 
Falarei mais dessa parte no Ademre e o principal motivo de ter gostado, no fim da resenha. 

Depois dessa viagem, Kvothe acaba tendo mais algumas respostas escassas sobre o Chandriano, o grupo de seres sobrenaturais que assassinou seus pais no primeiro livro. Por fim, ele volta pra receber a recompensa do Maer em Vintas (e o término dessa parte eu achei meio sem graça, como se não tivesse servido pra muita coisa), e depois volta para a Universidade, cheio de dinheiro como nunca havia sonhado em estar antes, já que era paupérrimo. Daí passa a gastar um bocado, aproveita com os amigos e coisa e tal. E, na volta para a Universidade, além de estar numa ótima condição financeira, as histórias de Kvothe, dos feitos em Vintas e Ademre já estão circulando, e sua fama (que já havia começado no primeiro livro) de arcanista, ótimo músico, aventureiro, "namorador", lutador etc, só aumenta. Parece que é um alter-ego megalomaníaco e desesperado por atenção do autor. 

E depois da volta para a Universidade as coisas correm bastante bem. Porém na cena da volta para a hospedaria, onde termina o segundo dia de narrativas, foi que, nas últimas páginas, eu fiquei boquiaberta. Um pouco antes, havia acontecido algo provando que o Kvothe da hospedaria já não é fodão como era quando mais novo. E o que acontece nas últimas páginas tem a ver com isso, oh deuses... Tipo NÃOOOO NOOOESSS PLZZ COMO ASSIM CARA, SEU TRAIRÃO, EU GOSTAVA TANTO DE VOCÊ, SEU FDP INFELIZ



Epic win:  Na resenha de O Nome do Vento reclamei da falta de presença feminina na história... De como as personagens femininas eram fracas, ou as boas apareciam pouco. Nesse livro isso foi bem suprido (não sei se o autor notou ou o quê), porque pra começar, Devi, a prestamista amiga de Kvothe, aparece um bocado, e ela é uma ótima arcanista, tanto que GANHA do Kvothe nesse quesito de fodacidade :o 
Mas o foda mesmo foi o papel das mulheres na sociedade ademriana. À primeira vista, a importância feminina não é tão patente, mas depois fica claro como elas são até consideradas superiores aos homens (não que eu apoie isso, mas num livro que se passa num universo machista, foi uma boa surpresa) em quase tudo, parece inclusive que é uma sociedade matriarcal. Pelo que entendi, todos os mestres e professores de luta na escola de artes marciais são mulheres (mas claro que há mercenários e guerreiros homens, normal), com as justificativas de que as mulheres lutam melhor pois são mais ágeis, além de ensinarem melhor. Shehyn, a "diretora" da escola, é uma mestre Yoda mulher! Quando li o nome "Shehyn", honestamente achei que fosse um homem, pois não havia se especificado o gênero. Mas não era. Achei in-crí-vel! A veinha é foda mesmo.

♦ E de todas as ademrianas, e até de personagens do livro inteiro, minha preferida sem dúvida foi Vashet, a professora de Kvothe. Ela me lembra até a Misato Katsuragi, do anime/mangá Neon Genesis Evangelion, pela personalidade. Ela é sábia, forte e responsável, mas é muito relaxada e age como se não desse a mínima pra nada. E o modo de ela carregar a espada, atravessada nas costas, achei totalmente uma coisa de anime haha. Além dessas personagens femininas, como disse lá em cima, também achei que a Feluriana foi uma ótima e inesperada participação.

Outra coisa: um dos professores de Kvothe, Elodin, apareceu um pouco mais nesse livro, o que eu adorei, pois ele é muito legal, e inclusive se mostrou menos maluco e lunático haha. Além disso, Kvothe acaba tendo mais aulas com ele e consegue chamar o verdadeiro nome do vento mais de uma vez.

 A escrita do autor é sempre incrível, continua brilhante como no primeiro livro. Gostosa de ler, divertida, porém bem construída e complexa na medida certa, mas longe de ser chata. Isso sem falar em como certos trechos (e metáforas) são lindos e poéticos. 

Epic fail:  Senti falta de que as simpatias e magias arcanistas aparecessem mais, pois acho que é a parte mais bem fundamentada e detalhada da história (embora as outras todas também sejam, mas essa é muito criativa e única, nunca havia lido nada parecido).

 A enrolação com Denna, a moça de quem Kvothe gosta, e que também é (aparentemente) apaixonada por ele, foi bem enjoada. Primeiro ele a encontra em Imre, depois em Vintas, depois de novo no fim do livro. Ela é chata, grosseira às vezes, esquiva e arredia (e aceita ser música de um mecenas que bate nela), e aí depois de uns encontros ficava aquele climão esquisito, e a coisa nem já é e nem já era. E por mais que Kvothe goste dela, depois de Feluriana ele vira um galinha. Talvez porque ele soubesse que Denna o enrolaria por mil anos, mas ainda assim, não gostei.

 Também senti falta de mais aparições do Chandriano. Gente, eles são uma das MELHORES partes do livro. São o mal em si haha, e o pouco que Kvothe vai conseguindo descobrir é muuuuito legal. Mas infelizmente ainda foi pouca coisa nesse livro, acho que poderia ter falado bem mais sobre eles. Fico imaginando como vai ficar essa pendência com a chata da Denna e com o Chandriano, no último livro.

 E o achei desnecessariamente grande. Algumas passagens davam a impressão de serem uma encheção de linguiça daquelas, inúteis e só serviam pra arrastar a leitura, que poderia ter sido resumida em um livro de 500 a 700 páginas sem o menor prejuízo. Patrick, arrume um editor urgente, na boa. 

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Leia porque: claro que primeiro você deve ler O Nome do Vento. Porém se já leu e gostou, vai gostar tanto quanto, ou ainda mais, desse aqui. Apesar das apelações do Kvothe ao longo de alguns acontecimentos, como eu reclamei, e do tamanho desnecessário do livro, admito que o autor consegue amarrar a trama toda, de modo que logo depois de uma parte arrastada as coisas já começam a se movimentar e já bate a curiosidade sobre o que vai acontecer, já que esse livro em especial é bem mais dinâmico que o anterior. E como eu já tinha elogiado em O Nome do Vento, o mundo que Patrick Rothfuss criou é muito bem fundamentado, detalhado e convincente. Por si só isso já valia a leitura do primeiro livro, e nesse isso se repete, e ainda apareceram personagens ótimos, que me fizeram gostar mais ainda da história. Acho que ela é o que mais chama a atenção, não o personagem Kvothe em si, apesar de ele ser o principal. 

Ps.: Estava no Deviantart procurando por fanarts legais dos livros, e me deparei com uma montagem sobre quem poderia ser o Kvothe caso fizessem filme ou série, sei lá. Daí o ator na montagem era esse Eddie Redmayne, que ficaria realmente PERFEITO como Kvothe, sem dúvida! Tô abismada *_*




Tô MUITO curiosa e ansiosa pro terceiro e último livro, justamente pela história. Pois está acontecendo com Kvothe, mas mesmo se fosse com outro personagem, completamente diferente, eu ia gostar do mesmo jeito. Então, Patrick, KD TERCEIRO LIVRO? QUER MATAR SEUS LEITORES, HOMEM? Até lançar já surtei de ansiedade. Mas pra não nos dizimar completamente, Patrick já escreveu um conto centrado somente em Auri, e inclusive a Arqueiro já fez a capa! Que ficou linda, aliás, taquepariu. Vai sair no fim de outubro ou começo de novembro. Link

Então, isso é tudo (e bota tudo, oh deuses, como eu escrevo...), até o próximo post :)

Amamos aquilo que amamos. A razão não entra nisso. Sob muitos aspectos, o amor insensato é o mais verdadeiro. Qualquer um pode amar uma coisa por causa de. É tão fácil quanto pôr um vintém no bolso. Mas amar algo apesar de, conhecer suas falhas e amá-las também, isso é raro, puro e perfeito.
Página 58 

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3 comentários:

  1. Caramba, que grandão! Estou começando a ler As Crônicas de Fogo e Gelo, e bom, entendo, euehhuehue. A Capa é linda mesmo e o nome é bacana. Não li toda a resenha para não calhar spoilers, mas li a sua opinião e fiquei interessada. O Eddie Redmayne é uma graça *u*
    Favoritei seu post para que eu não esqueça de procurar os livros para comprar ô/ Estou seguindo seu blog :3
    ━━━━━━ •✺• Like a Rock Like a Roll •✺• ━━━━━━

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    1. Oi Indira! Haha você foi sábia em evitar os spoilers, mas o livro vale totalmente a pena a lida sim, apesar do tamanho e de algumas enrolações. E o Eddie é realmente uma graça [2] hehe :*

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  2. Oi, querida! Adorei a resenha. Esse livro está na minha lista de leitura para o ano de 2015! Mas, poxa! Não sabia que era tão longo ): hahaha! Mas mesmo assim, lerei. Beijo.


    http://www.livrologias.com/

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